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Homilias em Destaque › 04/07/2016

São Pedro e São Paulo – Ser igreja hoje

Hoje a igreja se reconhece nos dois apóstolos que são considerados as colunas da Igreja. Celebramos a vida que os dois santos doaram totalmente para o bem da Igreja. Mas como nós pedimos aos santos que intercedam para nós, vamos pedir o que??

Acho que o que podemos pedir e nos ensinar a ser igreja hoje neste tempo, tão difícil. Podemos nos questionar o que é ser igreja. A igreja é a comunidade daqueles que seguem Jesus Cristo, a comunidade dos discípulos. A igreja porém é uma realidade concreta,  é uma comunidade que se reúne nas liturgias, é uma comunidade que reza e celebra, que se converte, é uma comunidade que evangeliza, isto é continua proclamando a Boa Nova de Jesus até os fins dos tempos. Se a Igreja não evangeliza, não é mais a igreja. Mas aconteceu que durante os séculos a igreja mudou bastante, a tarefa de evangelizar foi deixada ao clero, aos religiosos, aos missionários que partiram  para terras distantes. O povo não se sentiu mais parte da evangelização  e se acostumou a buscar a Igreja para receber os sacramentos. Assim o cristão não era mais o anunciador da Palavra de Deus, do evangelho de Cristo, mas apenas alguém que encontrava na igreja o sustento da sua fé. Isso não era errado, era ótimo, mas acabou tirando dos cristãos a missão de evangelizar. O tema da vocação e do chamado era algo que se comentava apenas em relação aos padres, religiosos consagrados e as freiras e alguns leigos que se dedicavam a catequese. Mas com o tempo do Vaticano II, o Espírito Santo soprou forte sobre a igreja, surgiram novos movimentos, grupos e associações que mostraram a todos os cristãos a beleza do “chamado”. Assim entendemos que a vida é um chamado. Hoje com fadiga e muito trabalho pastoral e empenho das comunidades estamos voltando a ser uma igreja onde todos, segundo o próprio dom e carisma, tem a responsabilidade de evangelizar. Mas esta mudança não é fácil, é custosa, precisa uma nova conversão. Os papas a partir de João Paulo II começaram a falar de uma nova evangelização, feita com novo ardor e novos métodos. Claro que ainda muitos custam a entenderem e principalmente aceitarem. Chegamos a um conceito tão pobre em relação ao ser Igreja, que nos preceitos gerais da igreja se pedia para santificar os domingos e as festas de preceito, comungar pelo menos uma vez por ano na páscoa, e confessar uma vez por ano. Então muitos ainda hoje pensam que está tudo bem porque vão à missa, comungam e se confessam: o que mais precisaria?

Precisa mais, precisa evangelizar, se tornar parte do corpo de Cristo, que evangeliza. Mas isso não é um preceito nem uma obrigação. È uma descoberta do próprio chamado, é uma questão do amor de Deus que vem tocando o nosso coração, e como nos sentimos amados por Deus queremos expandir este amor. Evangelizar é descobrir a beleza de podermos ser instrumentos de Deus (Francisco de Assis em 1200). Evangelizar não é pregar, é primeiramente testemunhar que Cristo vive em nós. È dar o nosso exemplo com uma vida que abraça a maneira de viver de Jesus de Nazaré. Isso pode acontecer em qualquer momento e em qualquer lugar: em casa, na escola, no trabalho, na rua. Que bonito ser Igreja, lutar e se comprometer para tornar o nosso mundo mais fraterno, do jeito que Deus quer!