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Paróquia hoje:
Homilias em Destaque › 19/09/2012

O Homem novo sabe escutar

 

A passagem do Evangelho deste domingo apresenta-nos um episódio da cura de um surdo-mudo. Na verdade a palavra original significa surdo-gago. O território onde o milagre acontece não está bem definido, mas é definitivamente um lugar habitado por pagãos. Onde não deveria haver santidade….para o Fariseu, quanto mais nos afastamos de Jerusalém, mais diminui a santidade, a presença de Deus.

É importante para captar todas as nuances do texto, o entendimento não é imediato.

Jesus cura um surdo-gago, isto é, uma pessoa que não sabe falar, porque não consegue ouvir

Uma pessoa que não consegue se comunicar com ninguém e, portanto para os judeus, alguém que precisa evitar, associando o mal físico coma  doença moral: é surdo porque cometeu pecado contra Deus.

Jesus coloca-o de lado e cuida dele, fala com ele.

O Senhor dá ao homem a capacidade de se comunicar novamente, de ter relações normais com as pessoas.

Jesus quer que a multidão não fale nada, mas o comando é rejeitado. As pessoas entendem que Jesus fez bem todas as coisas, com clara referência ao primeiro capítulo do Gênesis, em relação à criação quando Deus viu que tudo que criou era bom

Este texto não é uma simples narração de cura, mas já é a nova criação, o novo êxodo que Jesus veio trazer: o novo homem nasce capaz de se comunicar com todos.

O gesto, então, ocorre longe das multidões, do barulho, porque Deus sempre age na privacidade da nossa vida buscando um contato pessoal com as pessoas.

Falando de comunicação, podemos lembrar ao menos três verdades:

1) Antes de cada palavra, tem que existir a escuta

Na verdade, o surdo-mudo não fala, porque não pode ouvir.

Saber escutar é o grande problema de hoje, porque temos as nossas próprias idéias preconcebidas e  portanto nos limitamos a ouvir o outro, mas não o escutamos .

Com isso não sabemos escutar a voz de Deus, ouvimos ma não gravamos no coração.

 

2) Hoje, temos poderosos meios de comunicação, mas não sabemos fazer isso nem com nossos vizinhos, nossos íntimos, nossos familiares.

A comunicação real vem de silêncio. Toda fala humana deveria vir de dentro de nós. Mas nos acostumamos a falar coisas fora de nós: na verdade papeamos, mas não nos comunicamos realmente. O momento da conversa é importante. Não podemos conversar com impaciência ou pressa.

 

3) O nosso modelo de comunicação de Deus é um Deus que  não escolheu o caminho da solidão, mas de comunicação.

Um Deus que se revela a nós no silêncio, na Palavra, no encontro litúrgico, que nos ama pessoalmente, que nos chama num cantinho para fazer-nos seus amigos.

Desse encontro  com o Pão  nasce a paciência de escutar os outros, o desejo de contar-lhes sobre a minha fé, a minha amizade com Deus

A beleza de ouvir com carinho e sinceridade os problemas das pessoas

Efatá, Senhor, abri meu coração e a minha boca para gritar ao mundo o amor por você!