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Homilias em Destaque › 09/07/2012

Nenhum profeta é bem aceito em sua Pátria

 

O evangelho deste domingo mostra Jesus de volta à sua Nazaré; aqui seus parentes e amigos não reconhecem a sua missão e a extraordinariedade da sua Palavra e de seus ensinamentos. Jesus fica “escandalizado” por tão pouca fé e o evangelista Marcos nos relata que “não foi possível realizar milagres”.

Jesus sentencia a situação com a frase muito conhecida: “Nenhum profeta é aceito na sua pátria”.

Claramente, Jesus se refere à tradição dos profetas de Israel, que tiveram vidas muito atormentadas e sofreram perseguições. Em geral o povo de Israel não amava estas personagens investidas de uma missão divina, que falavam desmascarando os pecados da classe dirigente e do povo.

Com Jesus não foi diferente e conhecemos bem o desfecho de sua vida. Mas na sua terra aconteceu algo diferente: ele não foi perseguido, mas foi ignorado. O povo de Nazaré não deu muita atenção a ele. A razão: o fato de ser conhecido, de conhecer seus pais, o lugar onde morava; talvez o fato de lembrar da sua infância e juventude; o fato de ter crescido em família como uma pessoa comum.

O que isso pode significar para nós, cristãos de hoje?

Me parece que o que aconteceu com Jesus sugira que foi rejeitada a sua humanidade. De uma certa maneira era mais aceito João Batista, que morava no deserto, vestia de couro de camelo, comia gafanhotos. Hoje também temos dificuldade em aceitar a humanidade dos ministros de Deus, sua fragilidade humana. Deus porém continua apostando em nós, pequenos e frágeis, e usa nossa pequenez para realizar suas obras. Um claro exemplo é o de Francisco de Assis: enquanto era admirado e seguido por milhares de pessoas, o pai, Pedro Bernardone, continuava achando que ele fosse louco, e não enxergava a grandeza de sua missão.

Muitas vezes não aceitamos que Deus use nossa humanidade para construir seu reino de amor. O “profeta” na nossa vida pode ser um familiar, um amigo, um colega… pessoas que nos dizem a palavra certa na hora certa, para que entendamos de estar no caminho errado. Em vez de aceitar, atacamos os defeitos daquela pessoa para não ouvir aquela verdade. Pode acontecer que a homilia de um padre nos toca profundamente, mas não acolhemos e tentamos achar defeitos naquele padre; defeitos que ele deve ter mesmo, mas o que ele diz continua verdadeiro! Muita gente abandona a Igreja por causa de aborrecimentos com pessoas da comunidade: mas o nosso compromisso não deve ser com Jesus Cristo e a sua Palavra?

Porque fugir da verdade?

Aprendemos então a amar mais a parte humana da Igreja que é feita de pessoas comuns; se Deus nos escolhe apesar de nossas fragilidades e incoerência, porque mais nós, que também somos imperfeitos, não deveríamos aceitar a nossa comunidade, do jeito que ela é?

Boa vida cristã a todos!