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Homilias em Destaque › 26/09/2016

Homilia XXVIº Dom Comum – O ABISMO DA INDIFERENÇA

 

A parábola do homem rico e do Lazaro nos faz pensar em duas palavras que merecem ser comentadas: indiferença e abismo. Primeiramente colocamos este texto no seu contexto.

Estamos pouco versículos depois da parábola do administrador infiel que foi lida no domingo passado, e de um comentário de Lucas muito interessante depois do final da parábola: “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro”. Ele observa: “Ora, ouviam tudo isto os fariseus, que eram avarentos, e zombavam dele.” Pensei quantas pessoas no mundo e também no nosso meio devem zombar de Jesus, de Papa Francisco e de mim, quando falamos que não podemos ser apegados ao dinheiro.

O homem rico entra neste contexto, e não se fala nada de mal sobre ele, não se diz que seja uma má pessoa. Sua preocupação era a vida boa, roupas elegantes e festas todo dia, banquetes todo dia. Ele não percebe que Lazaro está com fome. Os ricos nos banquetes usavam o miolo do pão para tirar a gordura das mãos e o Lazaro se alimentava com elas. O rico tem o problema, na visão de Jesus, de ser indiferente. Madre Teresa dizia que a indiferença e o mal dos nossos tempos. Papa Francisco repete sempre que há uma globalização da indiferença. O mundo rico é indiferente a parte do planeta mais pobre. A sociedade mais rica é indiferente a parte da sociedade mais pobre. Mesmo nas famílias, as vezes observamos com tristeza, que o irmão mais rico é indiferente ao irmão mais pobre. Vivemos numa sociedade que nos torna indiferentes e para vencer a indiferença precisamos nos educar a solidariedade. O evangelho de Jesus nos ensina a ser solidários.

Lucas é o evangelho da Misericórdia: como é possível que o rico seja mandado para as chamas do inferno sem nem uma gota d’água para matar a sede? Jesus, porém não quis dizer isso. Ele quis mostrar que a indiferença cria o inferno, cria o abismo entre as pessoas. Quis dizer que o Pai Misericordioso não vai aceitar a injustiça, a desigualdade, a falta de fraternidade. Quem viver isso sempre estará fora do Reino de Deus e sempre poderá voltar se arrepende-se e muda sua atitude.O abismo foi criado na terra pela indiferença e falta de amor.

A parte final quando o rico suplica Abrão de avisar os seus irmãos nos mostra que não vai ter “repetição” de um Deus na terra, precisa aprender ao ouvir a Palavra de Deus e os mensageiros que Deus nos enviou, os profetas de hoje. A resposta de Abrão indica que na nossa vida Deus nos da todas as possibilidades de conhecer a verdade e precisamos aproveitar estas possibilidades.

A parábola de Jesus parece sugerir que não podemos administrar nossos bens apenas pensando em nós. De fato não custava nada ao Rico dar alimento para Lazaro e curar suas feridas. Mas infelizmente, não tem pior cego daquele que não quer ver, não tem pior cego do indiferente, que mesmo vendo, não enxerga que pode ajudar seu próximo. Lazaro é um nome que deriva do hebraico Eleazar, que significa “Deus me ajuda”. Deus não abandona aqueles que são abandonados por nós.

 

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