Paróquia
Sagrado Coração de Jesus

Poços de caldas - mg | Diocese de guaxupé

Paróquia hoje:
Homilias em Destaque › 07/04/2014

“Sair do Sepulcro”

Homilia 5º Dom Quaresma

Mais um domingo de catequese com o Evangelho de João que após os encontros de Jesus com a Samaritana e o Cego de nascença nos faz reviver o encontro de Jesus com Marta, a irmã do Lazaro e de Maria, amigos de Jesus. Sim porque o centro do Evangelho é Marta e sua profissão de fé maravilhosa: “Eu creio que tu és o Messias , o Senhor”. Marta não estava do nosso ponto de vista humano, em condição de confiar muito em Jesus. Havia mandado chamar o seu amigo Jesus porque Lázaro estava mal, mas Jesus quis permanecer onde estava e chega no lugar quatro dias depois da morte do Lázaro. Marta fala logo para Jesus: “Senhor se estivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Interessante como a pergunta da Marta parece a nossa pergunta: “Por que morrem aqueles que amamos, onde estava o Senhor nesta hora?”. A morte, antes de ser a nossa morte pessoal, é uma experiência de perder aqueles que amamos; é uma experiência onde parece que somos roubados, traídos. È uma dor muito grande, ligada ao amor que nos une as pessoas que amamos, e que na oportunidade da morte nos parece maior ainda. Mas mesmo dolorida não é uma experiência de desespero. Marta diz: “Mas ainda agora eu sei: tudo o que pedires a Deus, Ele To concederá»”.

A nossa dor se abre sempre a esperança. Jesus afirma para Marta “teu irmão ressuscitará”, mas logo depois parece mergulhar novamente na experiência da morte e chora. Chora duas vezes, mesmo quando alguém dizia: Ele que curou o cego, não podia curar o seu amigo? Novamente a nossa humanidade entra no coração de Cristo. Quantas vezes já falamos isso para Deus? Por que Deus não curou meu pai, minha mãe , aquele amigo, meu filho, minha filha? Porque Jesus que pode fazer isso, não fez? Jesus chora, sente quanto é dolorida para nós a experiência da morte.

Depois de tudo isso o evangelho nos abre a uma grande esperança: o sinal da Ressurreição do Lazaro. Esta acontece de uma maneira muito interessante. Jesus, depois de ter feito retirar a pedra pesada que fechava aquele tumulo, e ter rezado intensamente : “Eu sei que sempre Me ouves. Mas Eu falo por causa das pessoas que Me rodeiam, para que acreditem que Tu Me enviaste”. O gesto de Jesus é um sinal para nossa fé.

Ele chama Lázaro para fora. Ninguém o ajuda. Ele sai do tumulo sozinho. Apenas depois recebe ajuda para desatar as fachas mortuárias. Isso nos faz pensar muito. Quantas vezes não colocamos nossa vida num tumulo. Quando por exemplo anos e anos cheios de ressentimentos e não queremos perdoar, não colocamos nossa vida num tumulo? Quando, pela raiz de todos os pecados que é o egoísmo, não enxergamos mais os outros que podem nos amar, e podemos amar; quando não enxergamos mais que podemos ajudar os outros e vivemos apenas pensando em nós, isso não é um tumulo onde colocamos nossa vida? Um grande tumulo da nossa cultura é o pensamento que em nome de uma falsa liberdade dizemos “faço o que eu quero”. Mas um cristão, um homem e mulher verdadeiros, não fazem o que querem, fazem o que é preciso.

O amor faz o que é preciso. Para não falar de quando nossa vida se torna uma mesmice, sem novidade, sem alegria de viver, de nos doar, de fazer algo bonito. Isso não é mais um tumulo onde colocamos a nossa vida? Para nós ressoa forte o grito de Jesus: SAI FORA. Sai fora dessa. Vem para vida que vale a pena viver, vem para alegria, vem viver o amor: sai fora do teu tumulo!! Maravilhosa a palavra de Jesus. Antes da Ressurreição final e definitiva, precisamos ressurgir muitas vezes nos abrindo a uma vida nova e muito mais feliz.