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Homilias em Destaque › 30/04/2013

Homilia V Dom de Páscoa o amor que salva o mundo

 

Neste breve evangelho do Vº Domingo do tempo pascal recebemos a maneira de João enunciar o mandamento do amor. Judas acabou de abandonar a ceia para entregar Jesus e o mestre fala da sua glorificação, isto é da sua plena manifestação como Filho de Deus. João nos mostra que para Jesus Gloria e Cruz são o mesmo momento e por isso havia chegado a hora da sua glorificação. Neste contexto dramático e solene Jesus deixa como herança aos seus discípulos o novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros. Assim como eu vos amei, amai-vos uns aos outros”.

O mundo tem fome de Deus. O mundo tem fome de amor. O mundo padece muito porque falta Deus, porque falta o amor. Jesus mostra claramente que o caminho que vai humanizar as pessoas e portanto o mundo, vai ser o amor entre as pessoas. Um amor que por sua natureza é recíproco. Quem se sente amado, ama por sua vez.

“Humanizar” no sentido de tornar plena a vida humana, isto é “divinizar” a vida humana como realização da semelhança a Deus. Definitivamente, e contrariamente àqueles que não sabem entender a revelação de Jesus, a vivencia do amor fraterno e a presença de Deus no mundo são intimamente ligadas. Onde existe alguém que ama, Deus está presente.

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.”

“Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito” (I Carta de São João , cap.4)

A experiência do Deus vivo e verdadeiro passa pelo amor e pela sua vivencia.

Todavia podemos e devemos nos perguntar: de qual amor se trata? O amor é sempre o mesmo? Claro que nas palavras de João se trata do amor que os gregos chamavam de AGAPE. O amor fraterno que é doação de si mesmo. È vitória sobre o egoísmo que gera a soberbia, que faz com que todos sejam estranhos na casa do seu coração. O AGAPE acontece quando  a pessoa entende que o amor é a capacidade de dar e dar-se, é viver a vida com esta abertura de coração. Ao contrário do AGAPE existe o amor chamado Eros que significa a dimensão sexual – afetiva de atração entre os dois sexos. O Eros pode nos enganar muito e ser expressão do nosso egoísmo e do desejo de possuir. O amor verdadeiro não possui, mas liberta, exige a liberdade.

O amor AGAPE do qual fala Jesus  é o Amor como resposta amadurecida ao problema da existência. Nem todas as uniões amorosas são maduras. Filósofos existencialistas como Erich Fromm chegaram a descobrir o AGAPE em suas reflexões sobre o amor maduro, nos doando definições iluminadas como esta: “De modo geral podemos afirmar que o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando que o amor, antes de tudo, consiste em dar e não em receber
Amai-vos uns aos outros é então um caminho de felicidade e a descoberta da vida madura e da superação da miséria dos homens. Viver o AMOR AGAPE começa com pequenas coisas, com a postura de uma vida que se faz presente, não aceitando que o egoísmo, o interesse, o desejo de poder e de possuir, empobreçam a nossa vida ao ponto de desfigurá-la. Vamos então descobrir este amor maduro, verdadeiro, forte, corajoso. O amor que nos ensina a dar a nossa vida, começando pela pessoas mais próximas, como as da nossa família e da nossa comunidade.