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Homilias em Destaque › 10/03/2012

IIIº Dom. de Quaresma – Deus não se compra

Jesus, que expulsa os vendedores do Templo, rendeu cenas inesquecíveis nos filmes sobre a vida de Cristo. É algo que nos deixa todos indignados: a Casa de Deus não pode ser um mercado. Jesus, com certeza, queria acabar com uma mentalidade “comercial” presente na fé e na pratica religiosa dos Judeus.  A mensagem é clara, Deus não se compra!

Ainda hoje existem lugares e pessoas que, em nome de Deus, prometem novos empregos, sucesso empresarial, carros novos e luxuosos e, enfim, novas riquezas e, para isso, seria suficiente pagar os dízimos exigidos! Porém, não quero me deter nestes fatos até escandalosos, de uma falsidade vergonhosa.

Quero falar de nós, da nossa fé: será que muitas vezes não continuamos vivendo a fé com uma mentalidade “comercial”?

Muitas vezes o “mercado” começa na própria Santa Missa, no momento que pensamos que Deus se possa comprar com nossas liturgias, orações e ofertas: mais rezo e mais consigo graças; mais missas participo e mais consigo as bênçãos de Deus e seus favores.

Enfim, parece que a nossa fé, se não agirmos de uma maneira clara e sincera, é baseada numa experiência de troca. Uma vez falava com um padre que havia voltado de Medjugorje, na época que havia guerra na região da Bósnia e Herzegovina, e me contava assim: “Sabe, nas casas onde se rezava o terço, as bombas não caíam, mas apenas nas outras, onde não rezavam o terço”. Logo tive uma reação indignada: “Mas então Nossa Senhora so protegeria quem reza o terço? Não me parece o que aprendi sobre a mãe de Jesus: ela não ama a todos sem distinção?

O “mercado” continua, se pensamos que a benevolência divina é conquistada pela quantidade das nossas orações ou das nossas ofertas. O Senhor Jesus não disse que veio para os doentes, isto é para os pecadores? Será que ainda não entendemos que o Pai nos ama infinitamente independentemente de tudo e antes de tudo? Não precisamos conquistar o amor de Deus, porque este amor existe antes da nossa própria existência. Este amor infinito e incondicional de Deus foi o centro de tudo que Jesus nos revelou.

A fé, as nossas liturgias, as nossas orações, as nossas ofertas, os nossos gestos de amor, não servem para conquistar a amizade e o benquerer de Deus, mas servem para que aprendamos a ser como ele, a viver e amar com o mesmo amor incondicional de Deus, que não faz diferenças entre as pessoas. Nos Atos dos Apóstolos, está escrito : “ Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas”(At 10,34) e mesmo no Antigo Testamento lemos : “porque o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz distinção de pessoas, nem aceita presentes.” (Deut 10,17)

Talvez  em nosso coração há uma pergunta: mas então, por que fazer oração para pedir? Por que fazer intercessão? Por que fazer uma corrente de oração? Não foi o mesmo Jesus que nos ensinou a pedir a Deus com insistência?

Com certeza, pedir a Deus é certo, não foi isso que criticamos. Quando pedimos também aproximamos o nosso coração de Deus, entendemos mais o seu plano, aprendemos que não podemos pedir tudo que queremos, mas apenas aquilo que é segundo a sua vontade. Pedir com insistência não serve para “comprar” a Deus com nosso numero de orações, ou para tentar mudar a sua vontade. Quando, por exemplo, pedimos insistentemente a cura de uma pessoa querida, de um nosso familiar, não entramos em “luta” com Deus, como se ele não quisesse curar esta pessoa; ao contrário nós vivemos a mesma compaixão de Deus, amamos de uma maneira semelhante a de Deus; exercemos o mandamento do amor, rezando e intercedendo; mas, acima de tudo entramos no mistério da vida, assim como Jesus quando pouco antes de ser preso, chorou e rezou “Pai, afasta de mim este cálice…, mas que se cumpra a tua vontade e não a minha”. A Fé verdadeira não quer mudar a vontade de Deus, segundo o nosso cômodo ou a nossa visão, mas acredita que o melhor que possa acontecer é a Sua Vontade, que é uma vontade de amor infinito e de um bem que nem imaginamos.