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Homilias em Destaque › 27/04/2016

Homilia 24 abril – Vº Dom da Páscoa

O trecho que ouvimos é dramático. Judas havia acabado de sair do cenáculo, após Jesus anunciar a sua traição: “Aquilo que tem que fazer, o faça logo”. Judas saiu e era noite. Noite não apenas por causa da hora, mas noite por causa do coração de Judas que estava nas trevas. A escuridão causada pela falta de amor de um amigo que decidiu trair. Há uma oração de um padre e escritor frances que gosto muito e que fala assim:

Todas as misérias humanas, todos os sofrimentos humanos.

Todas as injustiças, todas as amarguras,  todas as humilhações

Todas as magoas, os ódios, os desesperos, todos os sofrimentos,

são uma fome insatisfeita, uma fome de amor…

 

Exatamente nesta hora que Jesus fala da sua glória, do destino de sua vida doada por amor, não a gloria de quem quer aparecer, de quem faz qualquer coisa para ficar famoso, mas a gloria de quem se doa por amor. Mesmo ferido pela traição de Judas, Jesus nos da o novo e maior mandamento, “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Isto é amais-vos com o mesmo amor com o qual amei vocês. Todos sabem que não é fácil amar.

A grande ilusão da maioria das pessoas é pensar que sabem amar. Muitos acham que amam, mas na realidade estão amando apenas a si mesmos; se confunde bastante o amor com aquilo que é tudo menos que amor: posse, ciúme, orgulho, dominação; o amor é uma força que vai pra fora de nós e não para dentro. A palavra egoísmo tão usada, as vezes de maneira certa e as vezes não, vem de ego (eu) e ismo (abuso, exagero): é um exagero de si mesmo ao ponto de esquecer o “ego” do outro porque precisa entender que não somos os únicos “ego” deste mundo. A pessoa egoísta não despreza os outros, mas ignora que eles também tenham desejos, afetos, sentimentos, necessidades, carências. Tem pessoas aparentemente muito boas e educadas, e de fato são mesmo boas e educadas, mas não são capazes de tirar o “ego” do centro de seus pensamentos e atitudes, se colocam no centro de tudo, são egocêntricas. Aprender a amar é uma conquista gigantesca, uma vitória sobre toda forma de egocentrismo. Aprender a amar é sair de si meso e ir ao encontro dos outros. A vida inteira é um aprendizado de amor. Não é possível amar sem compromisso, empenho, esforço, determinação e força de vontade. Não é possível amar sem conhecer o próprio egoísmo e lutar contra ele.

Por tudo isso, Jesus que nos conhece por dentro, nos da o mandamento novo, o único capaz de nos colocar numa atitude de doação e desprendimento. Dar e receber amor não é algo opcional na nossa vida, é uma necessidade primaria da pessoa humana. Sem amar e sem se sentir amado, ninguém será feliz. Podemos analisar tantas situações difíceis, onde há divisão, falta de compreensão, vida familiar conturbada, comunidades divididas, amizades quebradas, e sempre descobriremos que envolvem pessoas que não se sentem amadas, valorizadas, respeitadas e por isso respondem (infelizmente) com a mesma moeda: não amam, não valorizam, não respeitam os outros; ficam presas nas próprias magoas, nas próprias angustias, nas próprias tristezas. Mas quando existe amor doado e amor recebido, quando existe o amor recíproco que Jesus nos convida a viver, a vida é outra coisa. Conhecemos pessoas que certamente não são perfeitas (a vida é conquista), mas que são serenas, sabem enfrentar as dificuldades, sabem perdoar as ofensas, tem uma visão real de si mesmos, não se exaltam nem se rebaixam, porque existe uma força na vida deles, o amor, a certeza de ser amados e de poder amar, vencendo tudo que nos aprisiona em nós mesmos.