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Homilias em Destaque › 17/02/2014

Foi dito… , mas eu vos digo

 

No evangelho deste domingo Mateus continua apresentando Jesus como o novo Moisés que veio completar a lei. Ele traz uma nova justiça, superior aos dos fariseus e mestres da Lei. De fato o farisaísmo era algo que interpretava os mandamentos de Deus dentro de uma lógica de opressão religiosa. Por isso Jesus, o grande libertador, usa a formula que mostra a novidade: foi dito…, mas eu vos digo.

Inicia falando do mandamento de não matar. “Eu vos digo quem se encoleriza com seu irmão é réu em juízo”. O homem não pode pensar que está no caminho errado apenas quando mata. A violência que leva a matar tem uma raiz no coração da pessoa, uma raiz de ódio, rancor, desejo de vingança. Não se trata aqui de ficar nervosos ou perder a paciência, mas algo bem mais grave que leva uma pessoa a querer destruir a outra. È preciso conhecer os sentimentos do nosso coração e que tipo de pensamento existe em nós. Precisamos nos educar a uma cultura da paz e da não violência. A cada um dos últimos anos no Brasil acontecem mais de 50 mil assassinatos, sem contar as inúmeras tentativas que não resultam em morte. Tirando o mundo do crime que não respeita a vida de ninguém, sabemos que muitos destes assassinatos são cometidos por pessoas até então sem nenhum crime. Se não construímos a paz, a violência vai cada vez mais tomar conta da sociedade. Existe também uma violência que mata de outra maneira, se trata da palavra que ofende, calunia, difama, agride. Com estas atitudes podemos acabar com a vida, a serenidade e o animo de pessoas e das suas famílias.

O segundo mandamento fala do adultério. Jesus mostra que não é preciso chegar a vias de fato, mas no mesmo olhar que cobiça existe já a raiz do mal. O desejo de possuir vem de uma visão errada da pessoa e da sexualidade. Esta foi criada por Deus e nos leva a ser atraídos e sair do nosso egocentrismo, nos abrindo ao amor. O amor porem não pode ser exploração. A sexualidade deve existir num contesto de amor responsável e sincero. Ninguém pode ser considerado objeto de ninguém e muito menos instrumento de um prazer finalizado a si mesmo.

Enfim Jesus condena a pratica de jurar em nome de Deus. Quando os judeus queriam acabar com uma pessoa, se juntavam em dois para testemunhar contra ele e a pessoa era condenada pelo tribunal, mesmo que os juramentos fossem falsos. Estes juramentos eram solenes e feitos e nome de Deus. Jesus pede não apenas para não jurar o falso, mas para não jurar mesmo, não colocar o nome de Deus nestas questões. Ainda no nosso tempo esta pratica não acabou: existem muitas pessoas que usam o nome de Deus para oprimir, para levar vantagem, para conseguir dinheiro, para dominar outras pessoas. Somos chamados por Cristo a uma palavra transparente, que seja sim ou não; significa uma palavra clara, sincera e, portanto única. Não deveria existir uma palavra na frente das pessoas e uma nas costas.

Jesus nos leva passo a passo a mudar profundamente o nosso ser, buscando uma honestidade profunda que antes de ser com os outros, acontece conosco, no nosso intimo.