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Voz do Pastor › 12/03/2010

“É morrendo que se vive para sempre”

Para entender mais o processo de conversão da quaresma que nos leva a viver de maneira mais consciente a alegria da Ressurreição, escolhi a parte final da Oração de Francisco de Assis: “Porque é dando que se recebe e é morrendo que se vive para sempre”!

Francisco, que chamava a morte de irmã, e que morreu aos 44 anos após compor o Cântico das criaturas, provavelmente queria dizer que não precisava olhar a morte com medo, porque por meio dela entraríamos na vida eterna, junto ao nosso Pai. Mas com certeza ele havia já experimentado outras maneiras de morrer e reviver.

Giovanni filho de Pedro de Bernardone era um jovem rico e tinha apelido de “Francesco” por ser filho de uma mulher francesa, a esposa de Bernardone. O sonho de toda família rica da época era fazer do filho um grande cavaleiro, poderoso e vencedor. Francisco tentou ser este cavaleiro na guerra contra a cidade de Perugia, não muito longe de Assis, mas voltou doente e derrotado. Nesta crise nasceu outra pessoa e surgiu o Francisco amigo dos pobres, andarilho, amante da natureza e totalmente consagrado ao Senhor. Havia morrido um Francisco para nascer outro.

Nem sempre a nossa vida precisa de mudanças tão radicais como na vida de Francisco. Tenho certeza porem que este processo de morrer para reviver existe em todas nossas vidas. Vejo, por exemplo, como isso acontece em tantas moças, que quando novas são justamente preocupadas com a própria aparência e adoram  participar de festas, bailes, curtir seus cantores preferidos, comprar roupas sempre na ultima moda, mas quando casam e ganham o primeiro filho elas assumem uma atitude com a vida totalmente diferente. Mesmo gostando ainda de tudo que gostavam, o centro de suas atenções não são mais elas mesmas, mas a criança que nasceu e se tornou o mais importante de tudo. A nova vida não gerou apenas uma criança, mas também uma nova mulher, que recebeu o nome que é respeitado por todos: Mãe.

Para nascer vida nova sempre morre algo do passado.

Na vida de conversão e da busca de sermos pessoas mais autenticas e verdadeiras, isto é mais cristãs, acontece algo parecido. Para viver as novas atitudes que o Evangelho nos inspira precisamos abandonar as velhas atitudes. Não tem como uma pessoa se tornar generosa e solidária se ela continuar a ser egoísta e individualista. Não tem como aprender a perdoar e ser misericordiosos se não abrimos mão de nossas vinganças e nossos rancores. Não tem como aprender a rezar e estar com Deus a sós, se não paramos de correr e pensar apenas nos tesouros da terra; nunca vamos conhecer o tesouro do Céu. Deixando de lado “aquilo que passa abraçamos o que não passa” diz uma famosa oração da nossa Liturgia.

Por tudo isso acho que CONVERSÃO E RESSURREIÇAÕ  são bem parecidas; a conversão é uma pequena ressurreição; a ressurreição é a definitiva conversão.

È morrendo e ressuscitando todo dia neste processo sincero de crescimento que é uma conversão serena e sem angustias, que um dia seremos capazes de abraçar a morte como porta da ressurreição, que nos tornará capazes de estar face a face com o nosso Deus…eternamente!

Uma fecunda Quaresma e Feliz Ressurreição a todos.