Paróquia
Sagrado Coração de Jesus

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Paróquia hoje:
Voz do Pastor › 16/09/2013

Discípulos amados, discípulos do amor

 

Neste mês de setembro vivemos, como de costume, o mês da Bíblia. Na Paróquia temos o Curso Bíblico com Padre Francisco Albertin, sobre o Evangelho e Cartas de São João.

João é considerado o “discípulo que Jesus amava”. Nos perguntamos, então, quem será esse discípulo? João? Outro discípulo? Todos os discípulos?

Por isso muitos biblistas gostam de usar a expressão “o discípulo que se sentia amado”.

Neste sentido, todos podem ser discípulos amados, mas nem todos o são porque é preciso que eles se sintam amados. Aqui realmente chegamos no coração da fé: ela deve ser uma experiência de nos sentirmos amados pelo nosso Pai. Este amor nos leva a seguir Jesus e a fazer o que ele nos ensina. É porque Deus me ama primeiro que eu sou levado a ser como Ele, amando meus irmãos. O amor é o centro do Cristianismo. Não tem como seguir Jesus sem conhecer o amor. O próprio João foi muito claro nisso:

“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor… Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.”

Hoje como ontem, e talvez mais ainda, muitas pessoas procuram na religião seus interesses pessoais, procuram um Deus que “serve para eles”. Busca-se um Deus que resolva seus problemas, seus negócios; um Deus que levanta empresas à beira da falência. Vi numa revista cristã as afirmações de Valdir Steuernagel, presidente da Aliança Cristã Evangélica Brasileira: “A assim chamada Teologia da prosperidade tem materializado a bênção de Deus, nos tornando cristãos consumistas. Esta busca de benefícios pessoais acaba provocando um profundo desvirtuamento da fé cristã.”

Percebemos quanto tudo isso nos afasta da vivência do amor a Deus a aos irmãos.

Sempre comento nas missas, e o fiz também recentemente que muitos gostariam de um Deus que resolva tudo sozinho: a fome no mundo, as guerras, a justiça, a violência. Mas Jesus nos ensina que tudo pode ser resolvido se nos deixamos tocar e enviar por Deus. Jesus nos ensina que Ele é o Senhor, o centro de tudo. O Papa Francisco alertou a todos sobre uma fé que não tem o amor a Cristo como experiência principal: “Existem outros cristãos sem Cristo: os que somente buscam devoções, mas falta Jesus. Se suas devoções o levam a Jesus – disse o Papa –, então tudo bem. Mas se não vai além da devoção, algo não funciona.” Além disso, prosseguiu, há “outro grupo de cristãos sem Cristo: os que buscam coisas raras, um pouco especiais, que vão atrás de revelações privadas”, enquanto a Revelação se concluiu com o Novo Testamento.”

Vimos como para João a grande revelação do Novo Testamento é que “Deus é amor”. Vivemos, portanto, uma fé que seja a busca deste Amor na nossa vida, nos sentindo amados por Deus em Jesus Cristo e capazes de amar “como ele nos amou”. A grande bênção da vida é a vivência do amor, e nunca serão as coisas que têm o sentido de dar conforto e qualidade a nossa vida, mas não são o sentido da vida.