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Homilias em Destaque › 11/12/2017

Vales e montanhas- Homilia do 2º domingo do Advento

Antes de fazer sua reflexão, leia o Evangelho do Segundo Domingo do Advento clicando aqui

Este domingo em preparação ao Natal nos coloca dois profetas como Isaías e João Batista, que tem exatamente a missão de fazer acontecer aquilo que falávamos na semana passada: acordar o povo de Deus para que não perca aquilo que está para acontecer. Deus vem encontro a humanidade e a cada um de nós. Isaías foi profeta a partir do ano 740 antes de Cristo e foi aquele que gerou a grande expectativa do messias:

Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a jovem concebeu e deu à luz um filho, e chamará pelo nome de Emanuel(cf. Is 7, 14 )

Sabemos que João Batista é o primo de Jesus, filho de Isabel a prima de Maria, e é chamado o precursor, aquele que tinha a missão de preparar a vinda de Jesus e que pregava no deserto enquanto Jesus crescia em Nazaré.

Os dois nos trazem palavras sobre o Caminho de Deus até nós. Caminho que precisa ser preparado. João fala de endireitar as estradas, e Isaías usa mais imagens Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: a glória do Senhor então se manifestará[…].(cf. Is 40, 3-5)

Como dizia antes estas palavras são importantes para nós porque nos sugerem de preparar a chegada de Deus e, portanto, as estradas tortas, as colinas e vales que precisam ser aplainadas são uma imagem do trabalho que precisamos fazer para acolher Deus na nossa vida.

As montanhas e colinas nos fazem pensar as coisas que cresceram demais dentro de nós, em nosso jeito de viver. Com certeza orgulho demasiado e vaidade são coisas que não favorecem a vinda de Deus na nossa vida. Santo Agostinho dizia que “o orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios.”(gula, avareza, ira, Inveja, luxuria, preguiça). Este pensamento de Santo Agostinho parece não ser mais levado em tanta consideração, pois, a vaidade parece estar cada vez mais em alta nesta sociedade, onde o individualismo, o aparecer e se promover a qualquer custo passaram a ser metas e valores fortemente estimulados. Aquele que já foi visto como o maior e o primeiro dos pecados capitais – o orgulho – hoje virou virtude. Disfarçada e rebatizada de autoestima. A vaidade é agora “amor próprio”. Isso nos causa um monte de problemas, pois quem é cheio de si mesmo não tem lugar para acolher a Deus. Claro que precisamos nos valorizar, buscar nossa plena dignidade, mas não serão as filhinhas do orgulho, como o ciúme e a inveja, a realizar nosso processo de reconhecimento. O orgulho e a vaidade são montanhas que precisam aplainar para poder acolher Deus que vem como criança.

Tem vales que precisam ser preenchidas, isto é, precisamos cuidar do que falta: do vazio e das baixadas espirituais que se formaram dentro de nós. Quando a gente pensa no que falta não tem como não pensar que precisamos de mais amor, misericórdia, compaixão, fraternidade…

Então é assim que vamos prepara o Natal, a vinda de Deus até nós: destruindo as montanhas filhas do orgulho e a vaidade e nivelando os vales que, como dizia na semana passada, deixamos adormecer dentro de nós, e assim como um músculo não usado fica fraco, a nossa pessoa também se deixa de exercer as virtudes mais importantes, fica fraca e chega ao ponto de não conseguir mais amar.

O Emanuel, Deus conosco, nasce mais uma vez nas nossas comunidades e famílias, para nos dar a força de acreditar no amor e nos construir como pessoas vivas e dignas, capazes de acolher Deus e transmiti-lo aos outros.

Padre Graciano Cirina

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