Paróquia
Sagrado Coração de Jesus

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Um percurso de renovação- homilia da quarta-feira de Cinzas 2019- Pe Graciano

Um grande problema que aflige muitas pessoas é o peso da rotina: uma vida que se repete igual todo dia e que não traz alegria, aumenta o estresse, mau humor, pessimismo e até depressão. Hoje falamos de Quaresma, de vida Cristã. A vida cristã pode incorrer no mesmo problema da rotina quando deixamos de lado o desejo de crescer na fé e no amor fraterno. Não tem vida cristã sem um dinamismo de crescimento, sem uma vontade de viver mais a Palavra do evangelho, sem um desejo de amar mais a Deus e ao próximo.

Há um exemplo hoje procurado por muitas pessoas na questão da saúde. Quando alguém começa a não sentir bem, a se sentir pesado, cansado e de repente graças a uma consulta e análises descobre que está com muitos valores errados que colocam sua saúde em risco. Esta pessoa com ajuda do médico muda sua maneira de alimentar, deixa de ter uma vida muito sedentária, e logo sente beneficio, se sente melhor. Na vida cristã não é muito diferente, adquirimos hábitos de comportamento prejudiciais a nossa espiritualidade que nos fazem mal, e colocamos em risco nossa saúde espiritual, isto é a nossa paz interior, a nossa felicidade. Um habito errado e muito difuso no povo cristão é a falta de oração, de meditação, de um pouco de silêncio para escutar a voz de Deus. Do ponto de vista da saúde espiritual é um problema grave. Desta maneira perdemos contato com Deus, mas também com o nosso interior, vivemos como estranhos a nós mesmos, não sabemos bem quem somos e o que queremos da vida. Por isso temos muita dificuldade a lidar com os outros.

Alguns pensadores modernos dizem que na nossa sociedade se perdeu a “cultura do esforço” que nos leva a desistir de muitas coisas, inclusive, por exemplo, da amizade, se prefere desistir dela ao invés de lutar e nos esforçar para mantê-la. A vida é conquista, como dizia Dom Hélder: É preciso mudar muito para ser sempre o mesmo”. Para manter a mesma fé, a mesma vontade de amar, de construir a paz, de ajudar os outros, de viver a Palavra do evangelho.

A quaresma sugere este dinamismo com alguns instrumentos tradicionais da igreja, mas sempre muito atuais. Oração, como dizíamos, mas também a Penitencia, o Jejum e a caridade fraterna. São todas maneiras de lutar para nos manter fortes no espírito, para não perder nossa identidade, para manter nova e fascinante a vida cristã. São coisas que caminham juntas. O Jejum é algo que se renova em todo tempo e assume características próprias em cada época. Hoje não pode ser dissociado da sociedade que vivemos com muitas desigualdades. O Jejum, a renúncia de um alimento mais caro, não deve ser feita para poupar dinheiro, mas o dinheiro economizado deve ir para quem precisa, caso contrário perde o sentido. Não pode ser um jejum por si mesmo, mas deve ser cristão. Muita gente faz jejum com outros sentidos, inclusive para estar melhor ou mais bonito. O jejum cristão se qualifica no ato de caridade que segue a nossa renúncia. Abstinência da carne hoje tem um sentido mais amplo de evitar nas sextas-feiras da quaresma de comer algo mais caprichado e nos contentar com comida mais humilde. A Tradição que os portugueses nos trouxeram de comer o “caríssimo” bacalhau na sextafeira santa não é uma abstinência. Poderíamos fazer isso em outro dia.

Enfim, quebrando a rotina de uma vida espiritual acomodada, vamos aproveitar este tempo precioso da Quaresma para buscar mais Deus, para buscar na caminhada e na conversão, um sentido mais profundo na nossa vida.

Padre Graciano Cirina

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