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Sagrado Coração de Jesus

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Purificar as mãos ou o coração?- Homilia do 22º Domingo do Tempo Comum- Pe Graciano

Hoje Jesus enfrenta um problema que foi uma das causas principais da sua morte: a luta contra a lei da pureza e em geral contra as tradições antigas. Uma delas era lavar as mãos antes de tocar no pão. Lavar as mãos pois com elas fazemos ações, são símbolo do nosso agir. Lavar as mãos não era um ato de higiene, mas um rito religioso de purificação. Os fariseus contestam a Jesus de não fazer este rito. Jesus então reage com firmeza e citando o profeta Isaías os chama de hipócritas, palavra que significava na origem “comediante”, isto é, vocês não vivem uma fé de verdade, mas vivem de forma aparente, sem se envolver de verdade. Os comediantes no teatro grego antigo em cena só usavam máscaras, não mostravam quem realmente eram.

Para Jesus observar tradições humanas não podia ser mais importante que viver os mandamentos de Deus. Para os fariseus e a lei da pureza, puro era tudo que não tinha contato com as coisas e/ou pessoas consideradas impuras. Puras eram as mãos que passavam pelo rito de purificação da água. Mas para Jesus as mãos puras são as mãos que dão alimento para os faminto, as mãos que matam a sede do sedento, as mãos que cuidam do doente, as mãos que levantam o caído, as mãos que abraçam o triste. Para Jesus a pureza nasce no coração. Por isso que aproveitando esta situação Jesus explica de maneira clara o que realmente torna o homem impuro.

Faz uma lista de 12 pecados, ou vícios, ou atitudes que afastam o homem da presença de Deus. Tudo nasce dentro do homem e não fora. Jesus mostra que Deus nos deu a capacidade de fazer nossas escolhas. Ao ver a lista que ele apresenta ainda temos um quadro super atual do comportamento humano negativo, produtor da impureza que é o mal, a maldade.

Imoralidades= palavra original seria prostituições = quando o homem se vende em todos os sentidos.

Roubos= se rouba de muitas maneiras o dinheiro e dignidade das pessoas.

Assassinatos= muitos não matam por medo da cadeia, mas em seu coração matariam.

Adultérios= tudo que é falta de fidelidade, dentro e fora da família, na amizade, etc.

Ambições desmedidas= ganância, viver para ter ou poder sempre mais.

Maldades = a maldade é a parte mais sombria do ser humano, o prazer de fazer o mal, de machucar, de ferir, de destruir o próximo.

Fraudes = vivemos no tempo das fraudes, grandes e pequenas. Justamente nos escandalizamos de tanta corrupção, mas ao mesmo tempo buscamos privilégios com mentiras.

Devassidão = em todo os níveis, a busca do prazer pelo prazer, custe o que custar.

Inveja= a tristeza pela felicidade e sucesso alheio, um se rebaixar o tempo todo. A alegria do fracasso dos outros. Viver olhando os outros e não a realidade de si mesmo.

Calunia = matar a dignidade do outro com maldade e mentira.

Orgulho = O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, porque é a fonte de todos os vícios. ”Este pensamento de Santo Agostinho parece não ser mais levado em tanta consideração. Pois, a vaidade parece estar cada vez mais em alta nesta sociedade, onde o individualismo o “empreendedorismo” passaram a ser metas, valores, fortemente estimulados. Aquele que já foi visto como o maior e o primeiro dos pecados capitais por seus atributos maléficos – o orgulho – hoje virou virtude. Disfarçada e rebatizada de autoestima, a vaidade é agora “amor próprio”.

Falta de juízo= praticar a estupidez é muito moderno, infelizmente. O Facebook que o diga!

Infelizmente percebemos que nossas praticas religiosas se misturam com verdadeiras impurezas do coração. Precisamos não ser comediantes, mas pessoas autenticas. Um bom discernimento das nossas atitudes podem nos mostrar uma realidade mais triste. Vejam nossas praticas, terços, novenas, romarias, missas, comunhões, que tudo isso seja para ter o coração puro e jamais que seja para camuflar as praticas de coração voltado para o mal.

Padre Graciano Cirina

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