Paróquia
Sagrado Coração de Jesus

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Onde iremos, Senhor?- Homilia do 21º Domingo do Tempo Comum- Pe Graciano

O
grande discurso sobre o Pão da vida que começou com o sinal da
multiplicação dos pães e dos peixes, traz para Jesus muita
incompreensão. Se
pudéssemos
resumir Jesus com o seu discurso insiste em dizer aos seus discípulos
que o alimento mais importante para o homem é ele mesmo, alimento
que sacia o coração dos homens e sua fome e sede de vida, de
eternidade. O homem nunca ficará satisfeito com as coisas deste
mundo, haverá sempre nele uma necessidade maior do alimento que
enche a barriga. O ser humano precisa saciar a fome que existe no seu
coração. Por isso Jesus lamenta: “vocês vieram atrás de mim
pois encheram a barriga, e não porque estão buscando o Deus da
vida.”

Como
ouvimos no evangelho de hoje, este discurso de Jesus é percebido
como uma palavra dura difícil de ouvir. Jesus entra no meio desta
murmuração e fortalece ainda o seu discurso:

“O Espírito é que dá vida,
a carne não adianta nada.
As palavras que vos falei são espírito e vida.”

O
espírito é que
dá vida, a
carne não adianta nada! Vale a pena insistir. Carne resume a vida
material como um todo. Espírito resume a vida em comunhão com Deus.
É
dentro de nós que existe a vida. O
que realiza nossa vida não são satisfações do momento, mas tudo
aquilo que nos aproxima da vida do Eterno, tudo que enriquece nossa
vida interior.

Não adianta a carne, não adianta ter um monte de coisas na vida,
por mais
lindas que
sejam, se a nossa pessoa não é capaz de viver com felicidade, paz,
comunhão, compaixão, misericórdia.

Chega
o momento da grande crise. As
milhares de pessoas que queriam fazer Jesus de Rei após a
multiplicação dos pães e peixes abandonam Jesus, se afastam, não
entendem o que Jesus quer. Esta crise dos
seguidores de Jesus é presente também nos outros evangelhos, é uma
etapa certa da vida de Jesus e da sua missão.

Cristo
enfrentou rejeição que sabemos permanece até o fim, pois muitos
destes que o
abandonaram
provavelmente estavam entre
a multidão que gritava: “crucifica-o!”. Jesus não foge desta
crise,ao
contrário, as enfrenta
de maneira forte!
“Vocês também querem ir embora?” Jesus coloca os discípulos na
frente da escolha.

E
Pedro mais uma vez que representa com sua resposta todos os
discípulos fiéis,
inclusive nós que estamos agora aqui: “Onde
iremos Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. Tu és o Santo de
Deus

Hoje
somos chamados a fazer nossa a resposta de Pedro.

Perante um mundo que quer fazer de nós peças inúteis, manipuladas
pelas modas e pelo mercado, que, deve ficar claro, não se importa
com sua serenidade, com sua paz, com a vida da sua família; para o
mercado importa apenas que você seja um bom consumidor e o mercado
sabe que pessoas infelizes consomem muito mais.

Como
Pedro hoje precisamos assumir plenamente nossa vida e nossa missão
aqui na terra e decidir que seremos conduzidos por
palavras de vida eterna, ou melhor pelas palavras do Eterno
.

Buscamos
a riqueza interior. Somos as pessoas do SER (Deus) e não do ter. A
nossa aposta não será com riquezas que não levaremos para lugar
nenhum. A nossa aposta será como
o “tesouro” que é a prática
das palavras de vida eterna. Tesouro que nunca envelhece, nunca perde
valor e não pode ser roubado. Jesus quer que sejamos praticantes da
sua palavra e não meros ouvintes. Essa é a verdadeira
espiritualidade que todos deveríamos ter: trazer para vida do dia a
dia a Palavra do Eterno que ilumina nosso jeito de ser, nosso jeito
de amar.

Padre
Graciano Cirina

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