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Homilias em Destaque › 19/02/2018

O deserto para se renovar e fortalecer- Homilia do 1º domingo da Quaresma

Antes de fazer a reflexão desta homilia, leia o evangelho desse 1º domingo da quaresma aqui. 

Como a Quaresma se apresenta como um grande retiro espiritual, queria fazer esta caminhada com todos vocês nestes domingos que antecedem e preparam a nossa páscoa. Hoje acolhendo este evangelho olhamos para a humanidade de Jesus que foi para o deserto, e não foi por acaso, mas empurrado pelo Espírito Santo. Deserto é uma situação de vida, não é um lugar. Uma situação de vida onde parece não existir vida, tudo é seco, não tem alimentos, falta até a água, não tem sombra para buscar um pouco de descanso. Igual à nossa vida, ou melhor a nossa alma. Quando parece que tudo está vazio, que nada me dá alegria, que até os afetos mais importantes parecem não me confortar mais, quando pensamos que talvez erramos muito e nos sentimos sozinhos com nossos erros. Deserto também quando a enfermidade nos desanima, nos enfraquece e novamente nos sentimos sozinhos. Nesta hora surgem as tentações: a mais fácil é a de fugir, buscar respostas imediatas e baratas, surgem tantos mecanismos de fuga que podem ir de muitas formas de compulsões, a uso de bebida e drogas como algo para amenizar a dor do deserto que sinto dentro de mim. O problema mais sério é que o “deserto” pode ser permanente e portanto as fugas também.

Existe, porém, uma forma de “deserto” que é procurada. Se colocar numa situação de essencialidade para refletir sobre a vida, numa situação de silêncio e meditação. Se colocar numa situação de “falta”.

Por exemplo, para muitas pessoas de fé as grandes caminhadas como a de Santiago de Compostela ou, aqui no Brasil, o Caminho da fé, são momentos de “deserto” espiritual, ficar sozinhos, ficar com Deus e se reavivar a partir do essencial. Lamento muito que quando era jovem e mais saudável não me deram esta oportunidade e agora não consigo mais, mas adoraria mesmo.

Uma vez participei de um encontro com um frei que havia feito experiência no deserto mesmo, mas escreveu um livro o “Deserto na Cidade”, para nos ensinar a fazer deserto mesmo na vida de todo dia, na realidade urbana. Acho que a nossa Quaresma deve incluir um pouco de deserto, recriando, mesmo no silêncio do quarto ou, para quem tem muita sorte, no silêncio do jardim de casa, o deserto de Jesus. Como Ele se preparou a sua missão, nós também podemos preparar melhor para construir nosso estilo de vida segundo a boa nova e não deixar que o pensamento comum, a grande maré da banalidade, construa a nossa vida, que não é mais nossa, vamos obedecendo aos ditados de uma massa que não sabe mais pensar.

Vamos fazer o nosso deserto na cidade conduzidos pelo Espírito Santo e iluminados por Jesus Cristo e sua palavra. Vai ser um dos elementos essenciais de uma quaresma autentica. Sem atos e gestos concretos que mudam a nossa rotina não vai existir quaresma. Que Deus nos ajude para termos a força de quebrar nossa rotina.

Padre Graciano Cirina

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