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Homilias em Destaque › 13/02/2017

Homilia Vº Domingo Comum – Uma fé que cura o coração

Estamos lendo neste domingo uma parte importante do evangelho de Mateus: o grande discurso de Jesus que ensina quem é o discípulo, ou se preferimos o cristão seguidor de Jesus. Este grande discurso começou com as bem aventuranças e depois Jesus convidou a sermos sal e luz da terra. Nesta parte que ouvimos hoje Jesus traz um questionamento fundamental da fé:

Queremos uma observância exterior da fé, superficial, sem atitudes de conversão, ou uma observância profunda que envolve o nosso coração? Jesus não tem medo de afirmar que a observância dos fariseus é aparente, é uma maneira de viver a fé que não muda a pessoa, conforme a vontade de Deus, mas faz a vontade dos homens, deturpando a vontade de Deus! Jesus propõe uma lei que cura o coração de seus desvios e seus males.

Para se explicar bem Jesus faz alguns exemplos:

“Não matarás” – Jesus explica que para matar, acabar com uma pessoa, não é necessário matá-la fisicamente. Existem tantas maneiras de usar violência e de matar. A violência, a agressão nasce no coração, vem de dentro da pessoa: “Aquele que se encoleriza…” Deus quer que no nosso coração não habitem sentimentos capazes de destruir o outro, nem com a violência, nem com o desprezo, a humilhação, a exclusão.

“Adultério” – aqui também Jesus olha para o coração da pessoa. Neste caso não está falando de adultério como traição, mas da maneira de ver as pessoas. Não precisa chegar a vias de fato, pois neste caso também, o pecado já existe no coração, na mente, no jeito de pensar. Trata-se de entender a pessoa dentro da sua totalidade. O pecado sempre inicia quando achamos que uma pessoa é apenas um corpo que pode ser usado para nos servir de prazer, um objeto de consumo. Jesus nos convida a entender que a pessoa não é apenas um objeto de prazer, mas alguém que tem sua história, seus afetos, sua família, sua dignidade. Claramente hoje vivemos uma cultura “erotizada” onde as pessoas se apresentam com o corpo, querem mostrar seu corpo, querem ser avaliadas pela suas medidas, e isso torna mais difícil percebê-las como pessoas, mas continuam pessoas mesmo que estão caindo na ilusão, incentivada na sociedade, de que elas tenham valor na medida em que tenham corpos bonitos e atraentes.

“Não deves jurar o falso” – jurar no mundo semita significava declara algo chamando Deus como testemunha da verdade. Hoje existe um restinho desta cultura na expressão muito inocente “Juro por Deus”, que muitas vezes se fala por costume sem o peso de outras vezes quando falamos com mais seriedade. Jesus pede para não jurar nunca, não apenas não jurar o falso. Significa que temos que falar sim quando é sim e não quando é não, isto é o cristão tem que ser verdadeiro e se responsabilizar de tudo que fala, sem tentar usar o nome de Deus para dar valor a sua palavra. A palavra tem valor próprio quando nasce de um coração reto e sincero. Isso é muito parecido a não usar o nome de Deus  em vão.

A leitura de hoje termina aqui mas Jesus continua seu ensinamento desmontando muitas coisas dos fariseus: olho por olho…, odiaras o teu inimigo, não dar esmola para se mostrar, não rezar nas praças para ser vistos. A lição continua. É uma conversão continua que nos cura dos males e da hipocrisia.

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