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Homilias em Destaque › 13/02/2018

Eu quero, fica purificado- Homilia do 6º domingo do tempo comum

Antes de ler essa homilia, leia o evangelho desse 6º domingo do tempo comum

Neste domingo finalizamos o primeiro capitulo do evangelho de São Marcos. Jesus continua sua obra libertadora que manifesta o coração de Deus: misericórdia e compaixão. O encontro de hoje envolve um homem leproso.

A primeira leitura destacou o texto que na Lei de Moisés, sugere como deviam ser tratados os leprosos. Uma doença que hoje se pode curar com menos de 100 reais, mas que dois mil anos atrás era assustadora e não havia uma maneira de conte-la. Por isso a pratica de afastar os leprosos do acampamento, a obrigação deles anunciar sua presença gritando: “impuro, impuro!”

Quando, porém, Jesus começou sua missão a situação era ainda mais pesada. A lepra era considerada consequência direta dos pecados pessoais, uma espécie de castigo divino pelos pecados! A lei da pureza era muito dura e fariseus e escribas eram aqueles que tinham se dado o poder de fazê-la observar. Portanto um leproso era um doente grave, excluído do convívio social, excluído da comunidade de fé e da benção e proteção divina. Por tudo isso o leproso era considerado um morto-vivo, pois todas as formas de vida eram ausentes da vida dele.

Antes de Jesus nunca e ninguém haviam visto a cura de um leproso. Curar um leproso é como ressuscitar um morto. O dialogo do leproso com Jesus é simples: “Se queres tem o poder de purificar-me!” Ele não pede a cura, mas a purificação, mais que doente o leproso se considerava um impuro, como se carregasse um mal espiritual. Jesus logo mostra toda a falha da Lei da pureza e toca o leproso. Tocar os leprosos era proibido, assim como era proibido tocar em cadáveres. Jesus toca o leproso e sente a compaixão. A compaixão que ele sente vem de Deus porque Deus nunca havia castigado o leproso, mas sente compaixão do seu multíplice sofrimento.

Para todos nós esta é a mensagem principal do evangelho: Deus tem compaixão de nós e não quer o nosso sofrimento, mas quer destruir todo mal que é causado pelo pecado dos homens. O gesto de Jesus mostra que o verdadeiro pecador não era o leproso, mas todos aqueles que tinham criado a lei da pureza. A lei da pureza não interpreta mais a vontade de Deus.

Hoje somos convidados a ter fé neste Deus de compaixão. Somos convidados a nos abandonar confiantes nos braços do Pai. Desta confiança nasce a verdadeira oração.

Devemos também nos questionar porque Jesus proíbe ao leproso (neste caso ele será desobediente) de contar o que lhe aconteceu e principalmente quem o purificou e curou. Todo o evangelho de Marcos mantém esta proibição de Jesus! Por que? Este inclusive na teologia bíblica é chamado de “segredo messiânico”. Fica claro que Jesus não quer ser visto como curador, como milagreiro. Jesus quer ser o mestre da vida, quer nos conduzir ao Pai. Sabe muito bem que saúde do corpo sem saúde da alma não resolve muito. Jesus tinha a preocupação que fosse procurado pela curas e milagres, mas não era este seu objetivo.

A atitude do leproso de sair contando faz acontecer o que Jesus não queria e ele não podia nem andar mais pela cidade e precisava ficar fora, em lugares desertos. Jesus não curou todos os leprosos do seu tempo, mas movido pelo encontro e pela fé realizou este “sinal” para que mudasse a visão sobre Deus.

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