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Construir com Cristo o Reino de Deus- Homilia da Solenidade de Cristo Rei- Pe Graciano

O Evangelho
deste último
domingo do Ano Litúrgico, Solenidade de Cristo Rei do Universo, traz
um dos momentos mais dramáticos da vida de Cristo. O drama que se
consome não porque Jesus está para ser entregue e condenado, mas
porque neste dialogo entre Jesus e Pilatos, acontece a contraposição
do que é Rei para Deus e para o mundo.

Pilatos não
é rei, apenas um representante do Imperador César. Jesus é rei mas
não da maneira que Pilatos pensa. Rei no mundo é aquele que pensa
de possuir a verdade e a impõe a todos que estão abaixo dele. Ele é
a verdade que todos devem obedecer. O rei da França Luís XIV,
chamado de Rei Sol, dizia “Eu sou a França”. Mas Jesus não é
Rei desta maneira e por isso Pilatos tem muita dificuldade em
entender.

A diferença
dos reis
da terra e
Jesus,
é
que Cristo não
possui a verdade, mas é possuído pela Verdade que recebeu do Pai.
Ele é um Rei que se coloca a serviço da verdade, e por isso não
tem medo se colocar na escuta. Um rei que se ajoelhou na última
ceia para lavar os pés dos apóstolos. Um rei que não quer mandar,
mas quer servir, quer se doar e nos convida a ser como ele.

Jesus
identifica o centro da sua Missão com o anúncio
do Reino de Deus, expressão que usa 51 vezes nos evangelhos. Ainda
hoje a nossa igreja identifica a sua missão na construção do Reino
de Deus, reino de Justiça e amor. Para simplificar e dar a todos uma
imagem de compreensão imediata falamos que Reino de Deus é o mundo
do jeito que Deus quer. Mas o mundo continua construindo Reinos do
jeito que Pilatos pensava e continua rejeitando o Reino que Deus
quer. Uma maneira de “esconder” o Reino de Deus e tirar do
evangelho a sua capacidade transformadora e fazer da fé cristã uma
devoção que deixa as pessoas no seu intimismo, mas sem dar
testemunho da verdade. As comunidades dos discípulos do Senhor Jesus
não precisam de armas e nem de violência para construir o Reino de
Deus: precisam sim de pensar como Deus e mais ainda viver com os
mesmos sentimentos de Cristo. Precisam de ser comunidades onde não
existe a vaidade do poder e de mandar, mas todos se colocam ao lado
de todos, dando especial atenção a todas as pessoas em
dificuldades. Comunidades onde a luz da vida é a do Evangelho que
nos chama a nos amar uns aos outros assim como Cristo nos amou.

Vivemos
tempos extremamente complicados. Poder e riquezas mandam no mundo e
tem suas verdades. O Poder nunca conta a verdade come ela é.
Gravaram uma conversa de um líder político italiano aos seus
diretos colaboradores dizendo: “Não é importante que seja
verdade, importante que o povo acredite que seja a verdade”. O
mundo financeiro tem sua verdade que não é disposto a negociar:
verdade que se impõe a todos sem exclusão custe o que custar. Ao
contrário
de tudo isso, o Rei Jesus não quer conquistar o mundo, mas se
colocar a serviço de um mundo mais justo e fraterno.

Não
acredito que a nossa geração verá o mundo de paz, vai demorar
muito, mas acredito que cada um de nós com seu exemplo, vivendo o
evangelho, será uma parte do mundo sonhado por Deus e nesta
construção podemos ser um dos tijolos e não importa se seremos das
fileiras mais baixas da construção, pois para ficar em pé a casa
precisa de todos os tijolos. O Reino de Deus não pode ser construído
sobre o nada, precisa se apoiar em algo sólido
e firme.

A nossa fé,
o nosso testemunho, a nossa caridade, a nossa justiça, a nossa
fraternidade, são este algo sólido
e firme sobre qual está nascendo o mundo novo, o mundo do jeito que
Deus quer. Isso para mim significa celebrar a solenidade de Cristo
Rei do Universo.

Padre
Graciano Cirina

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