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Voz do Pastor › 09/04/2016

A Cultura da Ressurreição – Reflexão padre Graciano

 

Acabamos de celebrar a Páscoa, agora vamos caminhar rumo ao Pentecostes. A palavra Pentecostes significa “quinquagésimo”, e se refere ao dia em que os apóstolos receberam o Espírito Santo, 50 dias após a Páscoa. Apesar dessa ligação que nós cristãos fazemos entre Pentecostes e vinda do Espírito Santo, a festa em si vem da tradição hebraica, onde é chamada de Shavuoth (semanas). Hoje continuamos a celebrar o dia de Pentecoste, no sentido cristão. Este ano será no dia 15 de maio. Este tempo é chamado de Tempo Pascal, isto é, um tempo que temos para “metabolizar” a Ressurreição de Jesus e o que isso significa para nossa vida. Do ponto de vista espiritual não seria suficiente apenas lembrar dos fatos acontecidos, precisamos trazer a grandeza deste mistério para o dia de hoje, para a vida das nossas comunidades, das nossas famílias.

Somos convidados a “Ressuscitar com Cristo”. São Paulo diz que para isso precisamos deixar as coisas da terra e olhar as coisas do alto. Fiquei pensando o que seriam as coisas do alto. Seria olhar para o céu e esquecer a terra? Seria dedicar toda a nossa vida à oração?

O evangelho de Jesus nos dá o novo mandamento “amai-vos um aos outros como eu vos amei”; ensina-nos também que em cada irmão que ajudamos é o próprio Cristo que ajudamos; em cada irmão que abandonamos, é o próprio Cristo que abandonamos. (Leia com atenção o trecho do evangelho de Mateus, 25,31-46). A vida que Jesus nos ensina não é uma vida alienada, mas plenamente comprometida com as coisas da terra, com as pessoas, suas histórias, seus dramas e suas alegrias. “Coisas do alto”, portanto, é amar como Jesus, é aprender a nos doar, deixar de uma vida “interesseira” e deixar que o Pai nos faça instrumentos do seu amor. “Coisas do alto” significa deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo no seguimento do Mestre e aprender a viver como Ele.

“Coisas da terra” são as atitudes que geram o “Pecado do mundo”; isto é, aquela cultura de morte que teima não querer Deus, a sua Justiça, a sua Paz. São as trevas do mundo que geram violência, injustiça, guerras, desonestidade, exploração, morte. Viver só cuidando dos próprios interesses, preocupados em levar vantagem em tudo é a base desta cultura de morte. Infelizmente, percebemos quantas pessoas vivem com trevas em seus corações.

Nós queremos uma cultura de Ressurreição e de vida para todos. Precisamos construir comunidades abertas e misericordiosas, onde se busca a fraternidade e não se deixa ninguém abandonado à beira do caminho da vida. Comunidades onde se busca a união, e não as divisões, as maledicências, a competição. Não conheço nada mais duro do que um coração que não quer amar e não quer perdoar. O Espírito Santo tira de nós o coração de pedra e nos dá um coração de carne. Caminhamos rumo ao Pentecostes preparando-nos para reavivar o dom do Espírito Santo que Cristo ressuscitado prometeu a todos seus discípulos e discípulas. Com a força do Espírito que vem do alto seremos capazes de vencer as trevas do mundo e construiremos um mundo iluminado por Deus.

Um bom tempo pascal a todos,

Padre Graciano

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