Paróquia
Sagrado Coração de Jesus

Poços de caldas - mg | Diocese de guaxupé

Homilias em Destaque › 22/01/2018

A conversão é caminhar- Homilia do 3º domingo do tempo comum

Antes de fazer sua reflexão, leia o evangelho desse domingo clicando aqui.

O Reino de Deus se fez próximo. Como há uma grande distância entre nós e Deus que não conseguimos vencer, Ele se aproxima de nós. Vivemos isso durante o Natal e agora Jesus tem 30 anos e começa sua missão. No domingo passado vimos a versão de João que havia como centro do encontro uma pergunta de Jesus aos discípulos que o estavam seguindo: “O que estais procurando?”.

Hoje Marcos, que não era do grupo dos apóstolos e que seguia muito o apóstolo Pedro, nos traz a tradição da pregação de Pedro. Foi o primeiro a escrever o evangelho sendo assim o mais antigo de todos. Segundo muitos estudiosos, Marcos assinou o evangelho no capítulo 14 quando relata um fato marginal de um garoto que para fugir dos guardas perdeu o lençol que o cobria e escapou nu. Com certeza sabemos que acompanhava São Pedro.

Do início da pregação de Jesus destaca duas coisas: o anúncio do Reino de Deus com o convite “convertei-vos e crede” e o chamado dos primeiros companheiros que convida a ser pescadores de homens!

Por isso quero falar hoje de conversão. Uma palavra que nunca gostei muito, porque sempre nos foi ensinada como uma obrigação: “você precisa se converter!”. Uma palavra confusa porque muita vezes “o convertido” é uma pessoa que do nada passa ao tudo e mais do que isso, uma pessoa que ninguém quer encontrar, uma pessoa muitas vezes fanática.

Jesus unifica duas experiências: converter e crer.

Precisa crer para se converter?

Precisa se converter para crer?

Como muitas coisas este movimento entre crer e se converter é duplo e recíproco. Uma coisa puxa a outra. Crendo me converto e me convertendo consigo crer com mais profundidade. Podemos dizer que a conversão é um processo de crescimento no qual cada vez mais minha vida real e prática se torna conforme aquilo que creio.

Daí entendemos que conversão não é uma mágica, não é uma mudança repentina e nem o esforço de um tempo determinado. Conversão é permanente, é constante. É caminho.

Não pode se converter aquele que se acha chegado, sabido. Aquele que fica parado. Não pode se converter aquele que pensa “sempre foi assim e sempre será”. A conversão precisa de abertura a graça de Deus e ao Espírito Santo que é água viva e não estagnada.

Do ponto de vista humano esta abertura é a capacidade de se renovar toda hora, a capacidade de ouvir, de acolher. O ritmo da nossa conversão é o ritmo da Palavra de Deus que deixamos entrar no coração como verdade que me liberta. Consideramos liberdade o poder fazer tudo que queremos, mas quase nunca isso é o que necessitamos. É fácil correr atrás do que queremos porque está a flor da pele, mas para saber o que realmente precisamos é necessário mais profundidade.

A Palavra de Deus não nos “paparica” nos dando o que quebremos ouvir, mas nos ajuda a descobrir o que necessitamos de verdade para crescer e para ser pessoas mais serenas e resolvidas. Essa descoberta do que preciso para ser mais cristão e mais pessoa é o caminho constante da conversão.

Padre Graciano Cirina

Paróquia Sagrado Coração de Jesus

Poços de Caldas- MG

Diocese de Guaxupé

Deixe o seu comentário